Silêncios de entreletras

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– Está tudo bem com você?

– Como vai passando os seus dias?

Sabe, eu caminho nas ruas e olho para trás, de vez em quando, só para me certificar de que não deixei rastros.

Não, não me leve a mal. Não procuro me esconder nas multidões. Só não consigo deixar de ser coletivo.

Sabe, eu sou muitos e esta multidão, de certa forma, me protege.

Ontem, um sujeito me achou. Ele me viu quando eu cruzava a calçada e um raio de luz bem fino iluminou o botão da minha camisa.

Ele limpou os olhos, franziu as sobrancelhas e encarou o vazio que deixei no espaço da rua.

Às vezes ecoo como asa de libélula e o som se propaga como se fosse numa ruina grega.

Não importa. Vou meter meus poemas nos bolsos e fazê-los cair um a um; palavra por palavra; todos os silêncios de entreletras que deslizarão sobre as pedras para murcharem na areia fina.

Será minha pista. Minhas pegadas para serem seguidas.

De qualquer forma, está tudo bem.

por Sérgio Araújo

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Poeta e Professor.

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