Palavras

por Sérgio Araújo

Poema Social (2)

Me digam que não é verdade

Your inbox is boring

Interesses americanos

e os fascistas foram à casa de Teori.

Seu monitoramento de notícias?

Sinal dos tempos #LutaDeclasses #NãoVaiTerGolpe

de la dictadura

com o nome do Aécio.

Nessas horas uma “revolução” faz falta =/

o diametralmente oposto do fascismo.

See how,

Here’s What They Told Me.

Com megafone e fogos,

en este mundo de rosas de plástico los poetas son abejas desesperadas.

 

Poema criado com posts da minha TimeLine no Twitter.

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Poema social (1)

Em um ano de TV
Os ataques não são a resposta.
Meu nome é blurryface
Manifesto pela Democracia e pelo Estado de Direito.
Eu não conheço ninguém anônimo.
Ilegalmente,
tem muita gente querendo financiar esse negócio.
‪#‎FIESPGolpista‬,
Humillan y torturan
E o país vive numa espiral crescente de instabilidade.
Truque no Facebook,
Fotos da semana,
Censura,
Quem não vê manipulação?
Dona Lyda Monteiro da Silva dá voltas no túmulo
E Elis cantou “Como Nossos Pais”
Naquela outra social.
Os efeitos da saturação informativa na atual crise brasileira,
Skip the resume and cover letter.
Confira as dezenas sorteadas na Mega-Sena,
Look New Horizons,
Desastre em pedaços
Para relembrar as vítimas da ditadura.
A sua ideia pode mudar o Brasil
É a droga do @AmericanExpress.
Acho que se pá eu sou o comunista,
Blood Orange rocks the house.
A república ja foi destruída ou posso ficar de boa por enquanto?
Nazistas atacam judeus em Varsóvia,
Judeus atacam palestinos em Jerusalém,
fascistas atacam sede do PT/BH,
PCdoB/Campo Grande.
“The Burning Mountain”
FHC incita ódio
Além de apoiar o lixo
Na capital vestida como os Estados Unidos.
What happened?
Por que o Supremo se cala?
A verdade uma hora vem à tona.
Boatos,
Moro não é de Direito.
São Paulo
Que não tinha coração.
Grita “Não Vai Ter Golpe”,
No Welcome Mat for Fascism.
Liberdade,
‪#‎VemPraDemocracia‬.

 

Timeline poética. Poema crado com registros da minha timeline no twitter.

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Salinidade retrô

Invólucro que impregna a retina

Cristalina salina na intempérie

Vesga de toda cal

De todo sal que circula

Na líquida superfície ondulante

Enquanto rosna a rosca da lente

Intermitente

Saliente olho vagante

Blasfemo tradutor da realeza

Que traga no ventre turvo

Escuriclaro obturado

Eletrizado

Vômito cromatizado

Na plasmogenia salitrosa

Reluzente

Claro e quente

Nascente

 

por Sérgio Araújo

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Pessoas do mesmo verbo

Eu crio e descubro algo novo
Em minhas velhas tralhas esquecidas.
Me surpreende, me encanta, me choca.
É um reencontro com o meu próprio lixo
Sedimentado numa área alagada qualquer
Da minha existência desvelada.
Me encanto no desencanto.
Não posso criar sem desencantar-me
E, desencantando-me, me encontro
Num encanto imaginativo.
Quando desconstruo o dia e a cidade
Ergo minha imaginação,
As minhas imagens em movimento
Num palco sem plateia.
E eu queria poder olhar-me
Com olhos de outros
Como um crítico escondido atrás das luzes.
Não é de mim que falo apenas.
Eu também sou esse crítico que te ofusca
E te vejo só e desnuda.
Você pessoa
Que por trás de toda a tinta
É tão crua…
Tão só.
Não nos vemos, não nos tocamos,
Mas criamos.
E cá estamos a nos encontrar.
Você me lê e isso é mais seu do que meu.
Você me recria embaralhando nossas tralhas.
Eu te imagino, imaginando o que sei e o que não sei de nós.
Portanto, te digo: eu não sei!
Só queria saber o que pode um poema
Nesse encontro.
Você e eu.
Pessoas do mesmo verbo.

por Sérgio Araújo.

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Junho Underground

Anne de London
Marca um encontro
Do outro lado do ponto
Enquanto folheia um livro,
Um conto de Maupassant.
Bola de sebo,
Bala soft
Baile underground
Bem ali no ponto de ônibus,
Na esquina, em junho.
Jazz aqui é muito mais Jazzi
Que em Motherland.
E meu coração é uma língua de metal
Baby,Baby
Procrastination forever.

 

por Sérgio Araújo

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Chove

Chove!

Gotas ásperas na noite cínica.

Prisma, pingos

Esparramando cores nas paredes,

Transpiração

Num corpo emprestado de cimento e aço.

Cacos de todos os olhos,

Restos de som,

Cheiros em nacos de algodão.

Chove ilusão.

Percute na poça transbordante

E serpenteia adiante

Na tez brilhante da calçada.

 

por Sérgio Araújo

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Como nuvem

Aqui ninguém me alcança.
Com os pés molhados no silêncio da espuma.
Aquecido ao meio sol
Que brilha e brilha.
Aqui nessas palmeiras,
Nas rochas e suas pontas seculares,
Aqui sou o cume.
Solidificado.
Erguido sobre mim mesmo
E fluindo
Como nuvem.

por Sérgio Araújo

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Linhas pontilhadas

Rabiscando no topo da página em branco, sutilmente, foi transportado para além das pautas; essas bitolas  horizontais que suportam e aprisionam o sentido das coisas. Como representar, já que nada havia para suportar seus rabiscos, a profusão de sons, cores e formas que experimentava naquele instante único e estranhamente desafiador, de modo a fazê-los contidos em seus próprios universos atomizados e espalhados na geleia disforme e ilimitada?

De súbito reparou que começara a projetar as suas reminiscências intercaladas nas letras, palavras e frases que, como muros, aprisionam os sentidos e os desígnios; as ideias. Muros altos para as subversões, médios para os desencantos e quase nada, pequenas cercas de jardim, para as angústias passageiras, daquelas que aparecem pela manhã e são logo esquecidas na labuta do dia.

Ora, ora. – Cogitou com um sorriso tímido – teria pretensão maior ao escrever numa folha de caderno barato que preencher vazios estruturais com personagens e suas vivências fantásticas e, às vezes, tão simples como as nossas próprias? Não seria assim? Escrever em linhas pontilhadas?

A dúvida lambia as tênues certezas com sua língua áspera, que recolhia com vivacidade para saborear ruidosamente, esfregando-a nos lábios verdes da sua boca de dragão. Enquanto isso, seus dedos flutuavam devorando vazios na infinitude da página.

por Sérgio Araújo

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A palavra em seu embaraço

Desfaço-me dos meus poemas,

Obras inacabadas.

Sem ortodoxia,

Apenas semeio palavras no gosto alheio.

Despeço-me enquanto ainda rola na ponta dos dedos

A última letra.

Sem avareza ou tristeza.

Nessa empreitada,

Não há nada além da ideia que nos une

No instante em que você me vê

E eu te imagino emaranhando-se em minhas descrições,

Em meus meandros de frases tontas.

O que bebe e o que se embriaga.

O resto é nada

Nem o zumbido da crítica

Nem o apreço demasiado.

Só a palavra

Em seu embaraço..

 

por Sérgio Araújo

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Noite líquida

A noite líquida 
Escorre vagarosamente
Como cera derretida nas brechas da luz.
Calor e grandeza,
Como a materialidade dos discursos
Em sua existência pensada.
No encontro da noite e da mente,
O que não é demência,
É essência.
 
por Sérgio Araújo

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O homem louco

Quando as folhas dançam no ar

O cheiro do mar

Raposa dos campos e o homem louco

Livre para o futuro

Espírito de asas ligeiras

O homem intrépido

O homem que sou chora diante da beleza

Que nunca morre

E o espírito do homem louco é livre

Dançando sobre a grama molhada

Voa para o nada.

 

por Sérgio Araújo

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O diário do dia de ontem

Sendo ainda criança, não sabia das regras do mundo. Nada sabia daquilo que obrigava os homens a trabalhar por dinheiro, as mulheres a servir e as crianças a desobedecer os ditames; fardos, que os adultos carregavam com grande sacrifício e compartilhavam entre si, arrastando suas hipocrisias sutis.

Posto que não saber é um tipo de sabedoria que foge aos verbos das  ruas, dos bancos das igrejas e das salas sombrias, a criança olhava para o mundo de baixo para cima e mastigava o por quê do dia ao tempo em que afastava-se lentamente dos seus próprios pés.

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Um som passou por aqui

Um som passou por aqui. Deixou suas marcas no silêncio entre o sol e o lá. Silêncio cheio de falas na sala imensa em cujo eco abundam coisas de sentir.

Digo de eras entrelaçadas e fantasias inteiras curtidas no limiar da claridade da manhã. Soltas, as notas se vão, prolongando os lumes como se fossem suas caldas, réstias de sol no chão de pedra.

Porque não te vejo, entristecido, vago a sonhar com cores e sons que não se importam com unidades. Não é para mim essa música. É de todos na universalidade em que também me reconheço.

Canto e desencanto, espaço, delírio….

Em que estrada insana intenta o som fazer-se tão simples e belo?

 

por Sérgio Araújo

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Sobreface

Sobreface.

Faces de todas as coisas

Do visível delével,

Poeira formatável pela preferência.

Nada real com quer tua sensatez.

Tudo real com se fosse a primeira vez.

A sede, o gole e a sede do gole.

Dasein!

 

por Sérgio Araújo

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Não é nenhuma luz do sol

Agora olhava a vastidão da caatinga e seus galhos, como braços retorcidos, sapecados, arranhando a paisagem.

O circulo se fechou unindo à ponta do Saara. E toda a tempestade é um canto varrendo as nuvens supostamente postas no céu de gifs replicantes.

As marcas da praça ampla a me olhar, sozinho, posto no vão aonde sopram os violinos cavando valas na superfície do vento.

Não é nenhuma luz do sol aquele reflexo que te dei numa tarde, cansado de ver os barcos quando estava no cais das caravanas.

Aquele som antigo,

Mãe Terra,

Aquarela.

Blue de cítara,

Atabaque

Baque, bac, back, baq.

E não há outro mundo para me espelhar. Apenas o mar, camaleão engalanado para a eternidade.

 

por Sérgio Araújo

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Na plenitude do dia

Como posso na plenitude do dia

Catar versos tão maduros?

Alguns agarraram-se a mim

Como a um pai zeloso.

Outros, colhi como frutas maduras.

Há os que correm, aflitos, olhando a retaguarda.

Os que parecem ter sempre estado aqui ao meu alcance.

Uns simplesmente explodem sobro os outros

Espalhando suas partes,

Imagens que se agregam com facilidade

Na extensão dos signos

Já plenos de si.

 

por Sérgio Araújo

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O céu sobre o campo

O campo coberto de céu nunca morre

Se a grama seca

A raiz toca as nuvens no seu anverso.

O céu espelha a grama sobre o campo

E molha o solo do universo.

E eu quero conversar

Olhando nos meus olhos

Que refletem as nuvens sobre o campo.

Já não posso chorar

Para não molhar o campo sob o céu.

Basta que eu seja um homem

E possa olhar o campo e o céu

No limite do horizonte

Tênue, traço constante.

 

por Sérgio Araújo

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Soprando versos no meu ouvido

Quero falar sobre aquela emoção antiga

Perdida na floresta dos sentidos.

Vez em quando,

Quando levemente entristeço,

A vejo surgir assim tão magra e leve

Que parece definhar longe da minha atenção.

Mas ela está sempre lá,

Entre sombras finas, chuvas e silêncios.

Vez em quando,

Quando levemente entristeço,

Sinto-a perto de mim,

Soprando versos no meu ouvido.

 

por Sérgio Araújo

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Café Aragipe

Para Aglacy Mary

Também apago sombras!

Sinto-as…

Sombras são quase coisas,

Outras coisas.

Talvez as próprias coisas!

Quem sabe atalaias

Ao sol ardente

De uma tarde de verão.

Sombras no oceano,

No mesmo plano da avenida.

Rua da frente!

E não me  esqueço da Santa Rosa.

Café Aragipe,

Cheiro de manhã

Impregnado de humanidade.

 

por Sérgio Araújo

 

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Céu de bem cedo

Meus pensamentos sonoros como versos matutinos

Rasgam o papel com letras agudas

Semeando palavras na branquidão.

Rimas voláteis como sax on song

Findam completas feito chuva na tarde.

Com um sorriso discreto,

Te vejo na gota de tinta,

No fim da linha em espiral

Que traço com meu bico de pena.

Serena,

Passas bebendo nuvens alvinhas

Num céu de bem cedo.

Daqui, do lado da sombra,

Corro os dedos distraído

E risco o teu nome em silêncio

No vapor fugaz da vidraça.

 

por Sérgio Araújo

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